Quiz Câncer de Próstata
Câncer de Próstata: A Ciência da Longevidade Masculina
“Diagnosticar o câncer de próstata não é difícil; o desafio da medicina moderna é distinguir o tumor que matará o homem daquele com o qual o homem morrerá, sem ser afetado.” Esta nuance define a Uro-Oncologia contemporânea: tratar quem precisa, vigiar quem pode.
O câncer de próstata é a neoplasia visceral mais comum em homens, representando cerca de 29% dos diagnósticos oncológicos masculinos. Embora a incidência aumente exponencialmente com a idade, a mortalidade tem diminuído graças a estratégias de rastreamento inteligente e avanços terapêuticos que transformaram a doença avançada em uma condição crônica manejável por anos.
Quiz: Câncer de Próstata (Novas Questões)
Autoral: Portal SaudeAZSelecione seu nível de conhecimento:
Estudante / Público
Fatores de risco, prevenção e toque retal.
Residente / Urologista
Recorrência bioquímica, estadiamento TNM e cirurgia.
Oncologista / Especialista
Mecanismos de resistência, Abiraterona e Imunologia.
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1. Anatomia e Patogênese: O Inimigo Silencioso
A próstata é uma glândula exócrina do tamanho de uma noz, situada abaixo da bexiga e anterior ao reto. Para entender o câncer, é crucial compreender sua anatomia zonal (McNeal):
- Zona Periférica: Onde se originam 70-75% dos cânceres. Por ser a área palpável ao toque retal, o exame físico continua relevante.
- Zona de Transição: Onde ocorre a Hiperplasia Benigna (HPB), responsável pelos sintomas urinários. Apenas 20-25% dos cânceres nascem aqui e são mais difíceis de detectar.
A patogênese é fortemente influenciada por andrógenos (testosterona e di-hidrotestosterona – DHT). O receptor de andrógeno (AR) é o “motor” que alimenta a célula prostática normal e maligna, sendo o alvo principal de quase todas as terapias sistêmicas.
2. Diagnóstico de Precisão: Além do PSA
O Antígeno Prostático Específico (PSA) revolucionou o diagnóstico, mas é imperfeito. Ele é órgão-específico, não câncer-específico (sobe em HPB e prostatite). A abordagem moderna utiliza refinamentos:
A. Refinamentos do PSA
- Densidade do PSA: PSA dividido pelo volume da próstata. Valores > 0,15 ng/ml/cc aumentam a suspeita de câncer.
- Velocidade do PSA: Aumento > 0,75 ng/ml ao ano sugere malignidade.
- Relação Livre/Total: Se PSA total entre 4-10, uma relação < 10% indica alto risco de câncer.
B. Ressonância Magnética Multiparamétrica (mpMRI)
Tornou-se o padrão-ouro antes da biópsia. Utiliza a classificação PI-RADS (1 a 5) para predizer a probabilidade de câncer clinicamente significativo. Lesões PI-RADS 4 ou 5 exigem biópsia.
C. Biópsia de Fusão (MRI-US Fusion)
Em vez de “atirar no escuro” (biópsia randômica), o urologista funde as imagens da ressonância com o ultrassom em tempo real, guiando a agulha exatamente para a lesão suspeita. Isso aumenta drasticamente a detecção de tumores agressivos e reduz o diagnóstico de tumores indolentes.
3. Classificação Histológica: O Fim do Escore de Gleason?
O sistema de Gleason (ex: 3+4=7) foi atualizado pela ISUP (International Society of Urological Pathology) para os Grupos de Grau (Grade Groups), que simplificam o prognóstico:
- GG 1 (Gleason 3+3=6): Câncer de baixo risco. Comportamento indolente. Candidato ideal a Vigilância Ativa.
- GG 2 (Gleason 3+4=7): Risco intermediário favorável.
- GG 3 (Gleason 4+3=7): Risco intermediário desfavorável (o padrão 4, mais agressivo, predomina).
- GG 4 (Gleason 8): Alto risco.
- GG 5 (Gleason 9-10): Muito alto risco, frequentemente já micrometastático.
4. Tratamento da Doença Localizada
Para doença confinada à próstata, a decisão é complexa e compartilhada:
Vigilância Ativa: Não Tratar para Curar?
Para tumores de baixo risco (GG 1, PSA < 10, estádio T1c), o tratamento imediato (cirurgia/radioterapia) pode trazer sequelas (impotência, incontinência) sem aumentar a sobrevida. A Vigilância Ativa monitora o paciente com PSA, toque e RM seriados. Se a doença progredir, intervém-se com intenção curativa. Estudos (ProtecT) mostram sobrevida igual à cirurgia em 10-15 anos para este grupo.
Prostatectomia Radical (Robótica)
A remoção completa da próstata. A plataforma robótica (Da Vinci) permite visão 3D e movimentos precisos, facilitando a preservação dos feixes vásculo-nervosos (essenciais para ereção) e do esfíncter urinário, com recuperação mais rápida.
Radioterapia
Pode ser externa (IMRT/IGRT) ou interna (Braquiterapia). Em riscos intermediários e altos, é frequentemente associada ao bloqueio hormonal temporário (ADT) para potencializar o efeito.
5. Doença Avançada e Metastática
Quando o câncer sai da próstata, o objetivo muda de cura para controle a longo prazo. A base é a Privação Androgênica (ADT) — reduzir a testosterona a níveis de castração.
Câncer Resistente à Castração (CRPC)
Com o tempo, o tumor “aprende” a sobreviver mesmo sem testosterona circulante. Entra-se na fase de Resistência à Castração. Aqui, a ciência avançou com drogas de nova geração:
- Novos Antiandrogênicos (Enzalutamida, Apalutamida, Darolutamida): Bloqueiam o receptor de andrógeno com potência nuclear, impedindo que o tumor use qualquer vestígio de hormônio.
- Inibidores da Biossíntese (Abiraterona): Bloqueiam a produção de andrógenos dentro do próprio tumor e nas adrenais.
- Quimioterapia (Docetaxel/Cabazitaxel): Ainda vital para doença visceral extensa ou agressiva.
6. A Era da Teranóstica e Genética
Duas fronteiras recentes mudaram o jogo para pacientes terminais:
Lutécio-177 PSMA (Teranóstica)
O PSMA é uma proteína expressa na superfície das células do câncer de próstata. Primeiro, usamos um PET-PSMA (com Gálio-68) para ver onde o tumor está (Diagnóstico). Se ele brilha, injetamos Lutécio-177 ligado ao PSMA. O Lutécio viaja até a célula tumoral e emite radiação beta, matando-a in loco. É a “radioterapia líquida teleguiada”.
Inibidores de PARP (Olaparibe)
Cerca de 10-12% dos homens com câncer de próstata metastático têm mutações em genes de reparo de DNA (como BRCA2). Para estes, drogas como Olaparibe induzem “letalidade sintética”, sendo extremamente eficazes onde a quimioterapia falhou.
Conclusão: O Futuro é Personalizado
O câncer de próstata deixou de ser tratado com um “martelo” único. Hoje, temos bisturis moleculares. A integração de testes genômicos (Decipher, Oncotype), imagem molecular (PET-PSMA) e novas drogas orais permite que homens com doença metastática vivam por anos, transformando uma doença letal em uma condição crônica, enquanto aqueles com doença inicial evitam tratamentos desnecessários.


























